Apoio com prazo eleitoral?
Que coincidência bonita: o descanso do trabalhador ganhou importância justamente quando o voto dele se tornou dispensável.
Em 14 de outubro, Flávio Bolsonaro votou remotamente a favor do fim da escala 6x1. O voto favorável está registrado, mas vale acompanhar o que veio junto desse entusiasmo pelo tempo livre dos brasileiros.
No mesmo dia, Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, afirmou que, se Flávio for eleito, insistirá na proposta de pagamento por horas trabalhadas como alternativa. Ou seja, o partido apoiou a redução da jornada enquanto anunciava que continuaria defendendo outro modelo depois da eleição.
É comovente esse apoio que já chega acompanhado dos planos para o dia seguinte.
E tem mais: segundo apuração da CNN Brasil, Flávio sinalizou a empresários que poderia articular uma revisão da medida caso fosse eleito. A reportagem relata que a campanha temia o desgaste de votar contra uma pauta popular e que aliados falavam em possíveis “correções” no ano seguinte.
“Correções.”
Que palavra conveniente para apresentar ao empresário enquanto o trabalhador comemora.
Diante dessas informações, precisamos entender: até quando vai esse apoio? Porque defender menos horas de trabalho com preservação do salário exige um compromisso que continue existindo quando a urna fechar!
Quem passa seis dias trabalhando para tentar viver no sétimo tem motivos para cobrar essa resposta.
O cansaço continua depois da campanha, a vontade de acompanhar os filhos, estudar ou simplesmente descansar também.
Seria ótimo descobrir que Flávio mudou de posição por reconhecer essa realidade, mas o anúncio do próprio líder do partido e os bastidores relatados pela imprensa dão razões para desconfiar desse compromisso.
SEU DESCANSO MERECE UMA GARANTIA MELHOR DO QUE A CONVENIÊNCIA DE UM CANDIDATO.
Fonte: CNN Brasil ·